Fato verificado
O Brent fechou sexta-feira, 9 de outubro, a US$ 104,72 (+0,42%) e o WTI a US$ 91,85 (+0,39%). Dois fatores atuaram na semana. Primeiro, a guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026: em 8 de outubro, Donald Trump publicou no Truth Social que os Estados Unidos não atacarão o Irã antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, e o Brent, que havia chegado a cerca de US$ 105 naquele dia, recuou para perto de US$ 103 após a publicação. Ainda em 8 de outubro, os houthis reivindicaram ataque com míssil balístico ao aeroporto King Khalid, em Riad; a coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado dois mísseis, e a defesa civil saudita informou danos a uma creche e a um complexo médico por destroços da interceptação, sem relato de vítimas. A autoridade de aviação saudita reportou três mortes em ataques de 6 e 7 de outubro (duas pessoas mortas e 28 feridas em Abha e uma morta e oito feridas no King Khalid). A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) informou em 9 de outubro que cerca de 1,3 milhão de barris por dia de produção de petróleo foram paralisados no Golfo do México com a aproximação do furacão Isaías, com 130 plataformas e sondas evacuadas ou deslocadas até 8 de outubro. Relatos de operadores recebidos até as 11h (horário central dos EUA) de quinta-feira indicavam 62,89% da produção de petróleo e 57,35% da de gás natural do Golfo paralisadas. Sobre os fluxos pelo Estreito de Ormuz, as informações são divergentes: o secretário de Estado Marco Rubio afirmou em 7 de outubro que o Irã perdeu completamente o controle do estreito; um assessor da Guarda Revolucionária afirmou no mesmo dia o oposto. A consultoria Kpler registrou exportações regionais de petróleo acima dos níveis pré-guerra na semana anterior a 8 de outubro, e o presidente da Shell estimou os fluxos em cerca de 80% do nível pré-guerra.
Por que importa
Petróleo acima de US$ 100 chega ao Brasil em combustível, frete e insumos plásticos e químicos, pressionando custo de operação de quem transporta, produz ou entrega.
Leitura estratégica
O ponto estratégico é separar o que é fato do que é expectativa. Fato: a produção do Golfo está parcialmente paralisada por um evento climático com prazo conhecido, e há dano confirmado a infraestrutura aeroportuária saudita. Expectativa: a leitura de que não haverá escalada americana até 3 de novembro, que repousa sobre uma declaração política e não sobre um acordo. É por isso que o preço oscilou em poucos dólares nos dois sentidos na mesma semana.
Risco real
A paralisação por furacão é temporária por natureza, mas qualquer dano confirmado a instalação de produção ou refino — ou uma reversão da trégua declarada — pode empurrar o preço acima do patamar atual, com repasse a combustíveis e frete no Brasil.
Possibilidade prática
Para quem tem frota, logística terceirizada ou insumo derivado de petróleo, é momento de reavaliar cláusulas de reajuste de frete e a exposição do orçamento do próximo trimestre a uma variação de 10% a 15% no combustível — um exercício de sensibilidade, não uma previsão.
Fonte: U.S. Energy Information Administration, CBS News, OilPrice e InfoMoney
