Fato verificado
Em 15 de outubro, segundo apuração da Reuters publicada pelo Irish Times, o Brent caía US$ 1,64 (1,6%), a US$ 104,42 o barril, e o WTI recuava 98 centavos (1%), a US$ 94,11, revertendo os ganhos da sessão anterior, quando o WTI atingiu máxima de três semanas. A matéria registra que o Irã ameaçou intensificar ataques em resposta ao bloqueio americano a seus portos e a sanções mais duras adotadas no mês anterior, que os ataques na região do Estreito de Ormuz aumentaram nos dez dias anteriores, que os houthis atacaram a sede da Saudi Aramco e que um navio porta-contêineres e um graneleiro afundaram perto do estreito após serem atingidos por projéteis, segundo autoridades marítimas. Pelos dados da Agência Internacional de Energia citados na matéria, a produção russa de petróleo subiu 65 mil barris por dia em setembro, para 8,43 milhões, ainda 870 mil abaixo do ano anterior, e as exportações do Golfo subiram 4,4 milhões de barris por dia em setembro, cerca de 75% do nível pré-guerra. A administração americana estuda flexibilizar sanções a navios da chamada frota paralela para reduzir custos de frete, segundo autoridade americana ouvida pela agência.
Por que importa
Petróleo acima de US$ 100 é a origem do componente de energia que puxou a inflação americana, e combustível e frete entram no custo de quase toda empresa brasileira.
Leitura estratégica
Minha leitura é que o preço recuou porque o mercado já precificou um prêmio de risco alto e a oferta encontrou contornos — exportações do Golfo em cerca de 75% do nível pré-guerra e produção russa em recuperação parcial. O ponto estratégico é que isso é adaptação logística, não solução do conflito: a mesma matéria registra ataques em alta e dois navios afundados.
Risco real
Interrupção mais severa no tráfego do Estreito de Ormuz elevaria frete e seguro marítimo de forma abrupta, com repasse rápido a combustível e cadeias de suprimento.
Possibilidade prática
Para empresas com insumo importado, vale verificar rota, prazo e cláusula de reajuste de frete nos contratos vigentes, e considerar prazo de reposição mais longo em itens críticos.
Fonte: Reuters (via The Irish Times); dados da Agência Internacional de Energia citados na matéria
