Os Estados Unidos criaram 162 mil vagas não agrícolas em agosto, divulgado na sexta-feira (4) pelo Departamento do Trabalho, contra mediana de projeções de 55 mil; a taxa de desemprego ficou em 4,1%, e o salário médio por hora subiu 0,3% no mês, a US$ 37,75. Julho foi revisado de -23 mil para +21 mil vagas, e junho, de +20 mil para +31 mil. Na sexta, a chance precificada de alta de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed estava em 58,4%. Na decisão de 29 de julho, o FOMC manteve a faixa em 3,50% a 3,75% por 9 votos a 3, com três diretores votando por elevar a taxa, e o comunicado afirmou que “a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, em parte refletindo choques de oferta que elevaram preços em certos setores, incluindo energia”. A próxima reunião é em 15 e 16 de setembro.
Juros americanos mais altos encarecem o dinheiro no mundo todo e costumam pressionar o câmbio e os ativos de países emergentes.
O ponto estratégico é que o Fed está sendo empurrado por um choque de oferta, não por excesso de demanda — e três diretores já votaram por aperto em julho. Precificação de mercado não é decisão: 58,4% significa que quase metade das apostas aponta para manutenção.
Se o Fed subir juros e o petróleo continuar caro ao mesmo tempo, o custo de capital sobe justamente quando a margem das empresas já está apertada pelo insumo.
Vale revisar a exposição a dívida pós-fixada e em dólar antes de 16 de setembro, e evitar alavancagem nova apoiada na hipótese de queda de juros.
Fontes: Federal Reserve, comunicado do FOMC de 29/07/2026; Diário do Grande ABC (04/09/2026); InfoMoney (04/09/2026).
