Fato verificado
O índice PCE de agosto, divulgado em 30 de setembro, subiu 3,4% em 12 meses, contra 3,7% esperados, e o núcleo ficou em 3,0%, contra 3,3% projetados; na comparação mensal, o índice cheio avançou 0,3% e o núcleo 0,2%. O consumo das famílias subiu 0,9% em agosto, acelerando frente a 0,1% em julho, e a leitura final do PIB do segundo trimestre foi revisada para alta anualizada de 2,2%, acima da estimativa preliminar de 1,5%. Parte da surpresa é metodológica: o Bureau of Economic Analysis revisou a forma de medir preços de software, gestão de investimentos e serviços jurídicos, e economistas estimam que o núcleo veio cerca de 0,2 ponto percentual menor por causa dessa mudança. Nas bolsas americanas, o Dow Jones caiu 0,86% aos 50.908,79 pontos, o S&P 500 recuou 0,25% aos 7.651,80 pontos e o Nasdaq subiu 0,24% aos 26.861,06 pontos; no mês de setembro, o Dow caiu cerca de 5%, o S&P 500 recuou 0,8% e o Nasdaq subiu 1,7%. O juro do Treasury de 10 anos foi a 5,27% e o de 30 anos a 5,622%.
Por que importa
Inflação americana menor que o esperado reduz a pressão imediata por mais aperto monetário, o que historicamente alivia o dólar e o custo de financiamento de países emergentes.
Leitura estratégica
O ponto estratégico é que o alívio é de curto prazo e parcialmente contábil: com núcleo a 3,0% contra meta de 2% e parte da desaceleração explicada por mudança de metodologia, a expectativa de mercado se deslocou de outubro para dezembro quanto a uma possível alta de juros, mas não desapareceu. Treasury de 10 anos a 5,27% continua sendo o número que mais importa para quem decide investimento de longo prazo.
Risco real
Consumo acelerando 0,9% no mês e PIB revisado para cima mantêm vivo o cenário de juros altos por mais tempo, e uma surpresa inflacionária nos próximos meses pode reverter rapidamente o alívio de hoje.
Possibilidade prática
Para quem administra uma empresa ou carteira, faz sentido revisar premissas de custo de capital olhando o juro longo americano, e não apenas a decisão seguinte do banco central.
Fonte: Seoul Economic Daily (dados do Bureau of Economic Analysis e consenso Bloomberg) e Money Times
