Fato verificado
Em 20 de setembro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng se reuniram na sede global do JPMorgan Chase, em Nova York, acompanhados do representante comercial americano Jamieson Greer e do negociador-chefe chinês Li Chenggang. Segundo a Al Jazeera, estão em discussão um mecanismo de notificação sobre incidentes e ameaças de inteligência artificial, a identificação de bens não estratégicos que poderiam ter tarifas reduzidas e o fornecimento de terras raras e minerais críticos. Bessent afirmou que as conversas foram ‘very successful’ e que transparência entre as duas maiores potências em IA é ‘very important’. A cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping está marcada para 25 e 26 de setembro em Washington, primeira visita de Xi à Casa Branca em dez anos.
Por que importa
Tarifas americanas sobre produtos chineses, hoje em torno de 20%, e o acesso a terras raras definem custo de insumo e prazo de entrega para cadeias industriais que passam pelo Brasil.
Leitura estratégica
Minha leitura é que o poder de barganha chinês tem prazo: a suspensão por um ano dos controles de exportação de terras raras expira em 10 de novembro de 2026, o que dá à China um instrumento concreto para usar antes do fim do ano. O ponto estratégico é que a IA entrou na pauta de uma negociação comercial de Estado — deixou de ser assunto apenas de empresa.
Risco real
James Lewis, do Centre for European Policy Analysis, descreveu o encontro como ‘a cúpula dos três T: Taiwan, tecnologia e comércio’ e afirmou que ninguém espera grandes avanços; um pacote de ajuda militar de US$ 14 bilhões a Taiwan aguarda aprovação e deve ser contestado por Xi, o que pode travar o lado comercial.
Possibilidade prática
Quem importa componentes, eletrônicos ou insumos com origem chinesa pode usar esta semana para mapear exposição por fornecedor e checar se há alternativa qualificada, antes de qualquer anúncio.
Fonte: Al Jazeera; The National.
