Fato verificado
O USNI News informou em 9 de outubro de 2026, às 16h09, com base em dados da Organização Marítima Internacional (IMO) e do UKMTO (operação britânica de comércio marítimo), que nove navios — em sua maioria petroleiros de cru — foram atingidos no Estreito de Ormuz ou na costa de Omã entre 1º de outubro e a terça-feira anterior à publicação. Um petroleiro foi atingido na quarta-feira ao largo de Madinat ash Shamal, no Catar, e outra embarcação na sexta-feira ao largo de Al Jazeera, nos Emirados Árabes Unidos. O Lloyd’s List contabilizou 12 ataques entre 28 de setembro e a quarta-feira, o maior total semanal desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, segundo o editor-chefe Richard Meade. O Comando Central americano informou em 5 de outubro ter inutilizado três embarcações, e um comunicado recente do mesmo comando cita 13 navios inutilizados em seu bloqueio e ataques, sem nomeá-los. Apesar disso, o tráfego não parou: o Lloyd’s List Intelligence registrou 143 travessias no período de 28 de setembro à quarta-feira, três a mais que na semana anterior, com travessias no sentido leste em alta de 7,1%, no sentido oeste em queda de 4,2% e travessias de petroleiros e navios de gás em queda de 10,2%. Em setembro foram 477 travessias sem vínculo iraniano, o maior número desde o início do conflito (246 no sentido leste e 231 no oeste). O cru iraniano está no menor nível do ano, sem carregamentos reportados em setembro, segundo o analista sênior de inteligência marítima Tomer Raanan. Meade afirmou sobre o sistema de comboios no estreito: ‘Isso não é um novo normal sustentável, no que me diz respeito.’ A reportagem não relata vítimas.
Por que importa
Frete marítimo e seguro de carga na principal rota de petróleo do mundo são custo direto de combustível, insumo químico e plástico no Brasil.
Leitura estratégica
Na prática, os dois lados do mesmo dado merecem atenção igual. O risco subiu de forma mensurada — 12 ataques em uma semana é o pico da guerra. Mas o volume de travessias subiu, e o número de setembro foi o maior do conflito: o comércio está se adaptando, com comboios, seguro mais caro e rotas ajustadas, não parando. Quem lê apenas a manchete de ataque superestima a interrupção; quem lê apenas o volume de travessia subestima o custo embutido nela.
Risco real
Pico de ataques com queda de 10,2% nas travessias de petroleiros e navios de gás indica que o repasse está aparecendo primeiro no custo do frete e do seguro, não no desabastecimento — e esse custo chega ao Brasil com defasagem.
Possibilidade prática
Para quem importa insumo químico, plástico, fertilizante ou equipamento com origem no Golfo, é hora de confirmar com o fornecedor quem paga sobretaxa de risco de guerra e com que gatilho ela é acionada, antes de o contrato ser testado.
Fonte: USNI News, com dados de IMO, UKMTO, Lloyd’s List e Lloyd’s List Intelligence
