Fato verificado
A Meta divulgou em 21 de outubro, após o fechamento do mercado, receita de US$ 64,601 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 26% sobre os US$ 51,242 bilhões do mesmo período de 2025, e lucro líquido de US$ 9,86 bilhões, com lucro por ação diluído de US$ 3,83. No mesmo trimestre, custos e despesas totais subiram 68%, para US$ 51,613 bilhões, incluindo um encargo jurídico de US$ 9,89 bilhões relativo a acordo de agosto de 2026 com 52 procuradores-gerais estaduais americanos sobre saúde mental de adolescentes, acordo que prevê pagamentos de até cerca de US$ 18,59 bilhões. O investimento de capital do trimestre somou US$ 34,91 bilhões e o fluxo de caixa livre ficou negativo em cerca de US$ 2,1 bilhões, contra US$ 10,6 bilhões positivos um ano antes, segundo compilação da XP. A empresa elevou o piso da projeção de investimento de 2026 de US$ 130 bilhões para US$ 135 bilhões, mantendo o teto em US$ 145 bilhões, e o conselho aprovou uma nova classe de ações sem direito a voto, a classe C, distribuída na proporção de uma por ação detida, com início previsto para janeiro de 2027. O quadro de funcionários caiu 15% em doze meses, para 66.775 pessoas.
Por que importa
Mostra que a conta da infraestrutura de IA já consome o caixa operacional até de uma das empresas mais lucrativas do mundo, que passou a desenhar instrumentos financeiros novos para sustentar o ritmo.
Leitura estratégica
Minha leitura é que a criação de uma classe de ações sem voto resolve o problema de captar recursos sem diluir controle, o que diz mais sobre a duração esperada desse ciclo de investimento do que qualquer declaração sobre produto. Na prática, a receita de publicidade cresceu 26% no trimestre e isso sustenta a tese por enquanto, mas fluxo de caixa livre negativo é um dado objetivo e não uma opinião pessimista.
Risco real
Se a receita incremental atribuída à IA desacelerar antes de o investimento maturar, a empresa fica com despesa fixa alta e menor flexibilidade de caixa — e o retorno desse capital ainda não foi demonstrado em resultado consolidado.
Possibilidade prática
Para quem administra uma empresa, o ponto transferível não é imitar a escala, e sim a disciplina de separar o que é investimento com retorno mensurável do que é aposta estrutural, e de não financiar aposta estrutural com capital de giro.
Fonte: Meta Investor Relations (comunicado oficial) e XP Investimentos
