Fato verificado
O Ibovespa fechou o pregão de 21 de outubro em queda de 0,86%, aos 206.495,23 pontos, perda de 1.800,75 pontos, com volume financeiro de R$ 37,10 bilhões. O dólar comercial subiu 0,17%, a R$ 5,027, interrompendo três sessões de queda, enquanto o índice DXY recuou 0,01%, a 101,70 pontos. O movimento foi associado à divulgação de pesquisa Quaest que apontou 45% para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula em cenário de segundo turno, com margem de erro de 2 pontos percentuais — um empate técnico que estreitou a diferença de 2 para 1 ponto. A rejeição declarada de Flávio foi a 52% contra 47% de Lula. Na curva de juros, os DIs fecharam em baixa, com o contrato para janeiro de 2027 a 13,473% e o de janeiro de 2035 a 12,735%. Segundo a InfoMoney, analistas avaliaram que parte do otimismo já estava nos preços após a bolsa rondar máximas históricas.
Por que importa
Mostra que o prêmio de risco eleitoral está sendo cobrado no câmbio e na bolsa, e não apenas discutido.
Leitura estratégica
Minha leitura é que, com a bolsa perto de máximas e a disputa dentro da margem de erro, cada pesquisa passa a funcionar como gatilho de realização. Isso descreve volatilidade de curto prazo, não direção de longo prazo — e não há como saber de antemão qual pesquisa moverá o mercado. Como contexto datado, o Boletim Focus de 13 de outubro projetava IPCA de 5,22% para 2026 e Selic de 13,25% no fim do ano, com próxima reunião do Copom em 3 e 4 de novembro; o IPCA de setembro foi de 0,82% no mês e 4,58% em doze meses, acima do teto de 4,5% da meta.
Risco real
Volatilidade cambial em período eleitoral encarece insumo importado e dívida indexada ao dólar, e o efeito chega ao caixa da empresa antes de aparecer em qualquer indicador agregado.
Possibilidade prática
Quem tem custo ou receita em dólar pode usar este período para revisar exposição cambial e prazos de contrato, com assessoria própria — avaliar proteção não é prever resultado de eleição.
