Fato verificado
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, elevou a projeção do IPCA de 2026 de 4,99% para 5,01%, terceira alta consecutiva, mantendo a estimativa acima do limite superior da meta. Para 2027, a projeção recuou de 4,31% para 4,30%, e 2028 ficou em 3,8%. As medianas para a Selic são de 13,5% ao ano no fim de 2026, 12% em 2027 e 10,5% em 2028; o PIB de 2026 passou de 1,86% para 1,85%, e o câmbio projetado para o fim de 2026 está em R$ 5,20.
Por que importa
É a expectativa que o próprio sistema financeiro usa para precificar crédito, contratos e reajustes — e ela piorou, não melhorou.
Leitura estratégica
O ponto estratégico é o contraste de datas: no mesmo dia em que o juro futuro longo caiu mais de um ponto percentual, a mediana de inflação para 2026 subiu. Uma coisa é apetite por risco; outra é o dado de inflação, que ainda não virou.
Risco real
Inflação projetada acima do teto da meta reduz o espaço para queda rápida da Selic, independentemente do humor do mercado com o cenário eleitoral.
Possibilidade prática
Vale checar se os reajustes contratuais e as tabelas de preço da empresa estão calibrados para um IPCA próximo de 5%, e não para a hipótese de convergência rápida à meta.
