Fato verificado
Em 29/09/2026, o IBGE divulgou a PNAD Contínua do trimestre encerrado em agosto: a taxa de desocupação ficou em 5,3%, queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, em linha com a mediana das projeções de mercado compiladas pela Reuters, que era de 5,3%. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, maior nível da série histórica, com alta de 0,8% no trimestre — cerca de 774 mil ocupados a mais — e de 1% em doze meses, cerca de 1,1 milhão a mais. No mesmo dia, o Banco Central divulgou a Nota de Crédito de agosto: a inadimplência média da carteira subiu a 5,04%, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto em doze meses, maior nível desde março de 2011. Entre pessoas físicas, a taxa chegou a 6%, alta de 0,2 ponto no mês e também recorde da série. Entre empresas, ficou estável em 3,3%, maior patamar desde outubro de 2017. O endividamento das famílias estava em 49,9% em julho, estável em relação ao mês anterior. Segundo levantamento citado pela InfoMoney, o Caged de agosto registrou a criação de 165.827 vagas formais.
Por que importa
Emprego em máxima e inadimplência em máxima ao mesmo tempo significam que a renda está entrando, mas não está dando conta do custo do crédito — e é a margem da empresa que vende parcelado que absorve essa diferença primeiro.
Leitura estratégica
Os dois recordes não se contradizem, eles se explicam: com Selic projetada em 13,50% para o fim do ano, a parcela pesa mesmo com o emprego firme. O detalhe relevante está na composição — a alta vem de pessoa física, enquanto a inadimplência de empresa ficou estável. Minha leitura é que isso desloca o risco para quem vende ao consumidor final com prazo, não para quem opera entre empresas. Para quem administra uma empresa, o indicador a acompanhar nas próximas semanas deixa de ser volume de venda e passa a ser qualidade de recebível.
Risco real
Crescimento de venda parcelada num ambiente de inadimplência recorde transfere o problema para o caixa três a seis meses depois da venda, quando o ajuste já é mais caro.
Possibilidade prática
Revisar a política de crédito próprio antes de revisar a meta de venda: prazo médio concedido, percentual da carteira vencida por faixa, critério de aprovação e regra de corte. É informação que a maioria das empresas já tem no sistema e raramente olha em série mensal.
Fonte: IBGE (PNAD Contínua) e Banco Central (Nota de Crédito), via CNN Brasil, O Hoje e InfoMoney
