Fato verificado
Segundo apuração da Reuters com duas fontes envolvidas nas discussões, o Banco Central estuda um conjunto de medidas para conter o endividamento das famílias, entre elas limitar o crédito que cada pessoa pode receber com base na renda, exigir avaliação mais rigorosa do tomador antes da concessão e ampliar a transparência das condições do empréstimo antes da assinatura do contrato. O alcance discutido inclui crédito sem garantia, como o cartão de crédito. O Banco Central informou que não comentaria o assunto. A reportagem cita que o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda acumulada em doze meses em julho, conforme dados do próprio BC, e que a Serasa registrou recorde de 83,9 milhões de inadimplentes. O modelo de Singapura é citado como referência em estudo, com teto de duas vezes o salário mensal para rendas anuais de até S$ 30 mil. A implementação seria em etapas e não há data definida.
Por que importa
Se a regra avançar, muda a capacidade de compra parcelada do cliente final e o perfil de recebíveis de quem vende a prazo.
Leitura estratégica
Está em discussão, não decidido, e isso precisa ficar claro. Para quem administra uma empresa que vende a prazo, o dado relevante já está nos números atuais: endividamento perto de metade da renda e recorde de inadimplentes significam que o limite de crédito do cliente é hoje uma variável de vendas, independentemente do que o regulador decidir.
Risco real
Regra mais restritiva de crédito sem garantia pode reduzir ticket médio e volume em setores dependentes de parcelamento, com efeito concentrado nas faixas de renda mais baixas.
Possibilidade prática
Dá para começar a medir agora a dependência do faturamento em relação a parcelamento e cartão, e testar alternativas de condição de pagamento antes de qualquer mudança regulatória — é um diagnóstico interno que não depende de aprovação de ninguém.
Fonte: Reuters, via Forbes Brasil
